Reunião da Celac termina sem acordo entre países sobre situação na Venezuela

  • 04/01/2026
(Foto: Reprodução)
Reunião da Celac sobre Venezuela termina sem acordo A reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), realizada neste domingo (4), para discutir a situação da Venezuela após o ataque dos Estados Unidos, terminou sem acordo entre os países sobre um posicionamento a respeito do tema. 🔎A Celac é um bloco criado no México, em 2010, que reúne 33 países da região. A aliança busca a integração latino-americana e caribenha, além da coordenação política, econômica e social dos países. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participou da reunião. Ele reiterou a posição brasileira de que uma intervenção norte-americana na Venezuela é um ataque à soberania do país e desrespeita as regras do direito internacional. Mas, em função de uma falta de consenso, a Celac terminou sem a divulgação de um posicionamento conjunto. O chanceler Mauro Vieira durante participação na Comissão de Relações Exteriores da Câmara Vinicius Loures/Câmara dos Deputados Mais cedo, Brasil, México, Chile, Colômbia, Espanha e Uruguai publicaram um comunicado em conjunto em que expressam preocupação com "tentativas de controle governamental" diante da ação da Casa Branca em território venezuelano. "Expressamos nossa profunda preocupação e rechaço diante das ações militares executadas unilateralmente no território da Venezuela, as quais contrariam princípios fundamentais do direito internacional, em particular a proibição do uso e da ameaça do uso da força, o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados, consagrados na Carta das Nações Unidas", diz o texto. LEIA TAMBÉM Suprema Corte da Venezuela ordena que Delcy Rodríguez assuma a presidência Maduro capturado: quem é quem agora no núcleo de poder na Venezuela Governo brasileiro vai participar de reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a Venezuela Logo após a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, o governo brasileiro convocou uma reunião ministerial de emergência para tratar da resposta política e dos impactos que a operação poderia causar no Brasil, considerando os mais de 2 mil quilômetros de fronteira com o país vizinho. O presidente Lula coordenou a reunião de forma remota — ele está de recesso em uma base militar no Rio de Janeiro, e deve voltar a Brasília nesta segunda (6). Em uma publicação nas sociais, Lula chamou a ação militar de inaceitável e disse que ela abre um "precedente perigoso" para a América Latina (veja mais abaixo). Presidente Lula condenou a ação de Donald Trump na Venezuela Reunião ministerial Também participaram o Ministro da Defesa, o Ministro-Chefe da Casa Civil, o Ministro-Chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a embaixadora do Brasil em Caracas, além de representantes da Secretaria de Relações Institucionais e do Ministro das Relações Exteriores. Pela manhã, os ministros fizeram uma primeira reunião emergencial e confirmaram que não há brasileiros entre possíveis vítimas dos ataques dos Estados Unidos contra a Venezuela, durante a madrugada. Às 17h, houve um novo encontro sobre o tema, no mesmo formato. Além disso, ao menos 100 brasileiros que estavam em viagem de turismo no país conseguiram sair ao longo dia sem qualquer dificuldade. "A situação na fronteira nunca esteve tão tranquila", afirmou o ministro Múcio. O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou após a reunião que, neste momento, não há qualquer movimentação anormal na fronteira, mas que o governo segue acompanhando a situação. Ministro da Defesa diz que fronteira com Venezuela está aberta A passagem, no entanto, foi fechada nesta manhã pelo governo venezuelano. Do lado brasileiro, o espaço segue aberto e as atividades estão regulares, segundo Múcio. Mais cedo, o Ministério da Justiça publicou uma nota afirmando que se prepara para um eventual aumento do fluxo de refugiados. Lula chamou ataque de 'inaceitável' Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou nas redes sociais sobre o ocorrido e afirmou que a ação militar ultrapassa a linha do que é aceitável na relação entre países. "Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional." Lula também afirmou que a ação militar desta madrugada é uma flagrante violação do direito internacional e abre espaço para um mundo de "violência, caos e instabilidade". O petista também defendeu que "a ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz". "A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação." Maduro capturado O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que ainda está decidindo sobre o futuro da Venezuela, após forças dos EUA capturarem o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, na última madrugada. Destino de Maduro é um “aviso” para outros líderes Trump disse ainda que Maduro e a esposa estão a caminho de Nova York, a bordo de um dos navios da Marinha norte-americana posicionados no Caribe desde o fim de 2025. Até então, o paradeiro do presidente venezuelano era desconhecido. Em entrevista à rede de TV Fox News, Donald Trump também afirmou que os EUA passarão a estar "fortemente envolvidos" com a indústria petroleira da Venezuela. Ele não detalhou qual será o envolvimento, mas disse que a China "continuará recebendo petróleo venezuelano".

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/01/04/chanceler-mauro-vieira-participa-neste-domingo-de-reuniao-da-celac-sobre-a-venezuela.ghtml


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