Pré-candidatos à Presidência reagem ao novo tarifaço de Trump
16/07/2026
(Foto: Reprodução) Flávio Bolsonaro, Donald Trump e Lula
Montagem - Arte/g1
Pré-candidatos à Presidência se manifestaram sobre o novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos, que impõe uma cobrança de 25% sobre a maioria dos produtos brasileiros vendidos ao país. Lula (PT) repudiou a medida, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) culpou o governo brasileiro, Ronaldo Caiado (PSD) alertou para o risco de quebra de setores da economia e criticou os dois, e Romeu Zema (Novo) condenou a decisão americana e criticou a condução das negociações pelo Planalto.
A medida foi anunciada pelo governo do presidente Donald Trump nesta quarta-feira (15) após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Esse mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.
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Os Estados Unidos acusam o Brasil de adotar práticas comerciais desleais em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, meio ambiente e combate à corrupção. O governo brasileiro contesta as alegações e afirma que apresentou evidências para rebater cada uma delas durante as negociações.
A cobrança de 25% atingirá a maioria das importações brasileiras. Café, carne bovina, suco de laranja, determinados produtos energéticos e componentes aeronáuticos estão entre as exceções.
Quaest: Tarifaço pesa mais contra Flávio Bolsonaro do que contra Lula
Veja o que disseram os pré-candidatos:
Lula repudia medida e culpa família Bolsonaro
O presidente Lula (PT), pré-candidato à reeleição, classificou a decisão como um “marco lastimável” nas relações entre Brasil e Estados Unidos e afirmou que não há justificativa para medidas unilaterais contra o país.
"Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil", afirmou, em nota publicada nas redes sociais.
O presidente disse também que o governo brasileiro contestou as acusações envolvendo o PIX, a regulação das plataformas digitais e o combate ao desmatamento.
Lula anunciou que o Brasil iniciará os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade e levará o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio, a OMC.
Também afirmou que o governo manterá, por meio do Plano Brasil Soberano, medidas de proteção aos setores atingidos pelo tarifaço.
Na manifestação, Lula responsabilizou a família Bolsonaro pelo agravamento da disputa comercial.
“É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”, afirmou.
Flávio Bolsonaro culpa Lula
Flávio Bolsonaro (PL) compartilhou uma publicação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que atribuiu a decisão à falta de negociação do governo brasileiro com os Estados Unidos.
O senador e pré-candidato não criticou diretamente a imposição da tarifa e concentrou sua manifestação em ataques a Lula.
“Lula não tem mais condições de ser o presidente do Brasil. Estamos num avião sem piloto”, escreveu nas redes sociais.
Flávio volta a criticar Lula ao comentar post de Rubio que indica tarifaço como ato político
Flávio chamou Lula de “Biden brasileiro” e afirmou que o presidente se tornou “um perigo para a nossa nação”.
“Quem olha pro Lula não enxerga futuro. Enxerga passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência, vingança... Chega!”, declarou.
Antes da confirmação do tarifaço, Flávio havia viajado aos Estados Unidos e defendido a suspensão da cobrança até depois das eleições brasileiras, seguida da abertura de uma nova negociação entre os dois países.
Caiado alerta para risco de quebra de setores e critica Lula e Flávio
Ronaldo Caiado (PSD) alertou para os efeitos do tarifaço sobre a indústria, o agronegócio e os serviços digitais. Segundo o pré-candidato, a cobrança pode provocar o fechamento de empresas, o aumento do desemprego e o endividamento de produtores.
“O que está em jogo por trás do tarifaço dos EUA é que setores inteiros podem quebrar. Não é conversa fiada. É a conta mesmo que não fecha, com 25% a mais de tarifa, que pode chegar a 37,5% somada a outras sobretaxas em análise, indústria, agro e serviços digitais brasileiros perdem competitividade da noite pro dia. Fábrica fechada é gente na rua. Produtor endividado é cidade inteira sufocada”, afirmou, em publicação nas redes sociais.
Caiado também criticou Lula e Flávio Bolsonaro, a quem se referiu como “o outro candidato”, e afirmou que a polarização prejudica o país.
“O mais triste, Lula não tem capacidade para dialogar e o outro candidato está preocupado com a eleição, não com o Brasil. A polarização está saindo muito cara para as famílias e para o país”, escreveu.
Zema condena tarifaço e critica governo brasileiro
Em nota à imprensa, Romeu Zema (Novo) condenou a medida anunciada pelo governo americano e afirmou que ela prejudica os interesses do Brasil e desrespeita os vínculos históricos entre os dois países.
“Eu condeno o tarifaço anunciado pelo governo dos Estados Unidos. É uma medida protecionista que prejudica os interesses do Brasil e desrespeita os vínculos históricos entre os dois países. Vejo com preocupação os efeitos sobre a indústria brasileira, que perde competitividade no mercado americano, um dos mais importantes para os produtores nacionais”, afirmou.
Zema também responsabilizou o governo brasileiro pela condução das negociações, mas afirmou que os erros do Planalto não justificam a retaliação dos Estados Unidos.
“O governo brasileiro errou nas negociações, criando atritos desnecessários e adotando um discurso eleitoreiro. Se tivesse agido de maneira técnica e responsável, poderia ter evitado uma retaliação que, de qualquer forma, não se justifica”, acrescentou.
Até a publicação desta reportagem, o pré-candidato Renan Santos (Missão) não havia se manifestado sobre o novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos.