Lula afirma que tratamento dado pelos EUA é inaceitável e diz que pessoas tentam trair o Brasil com 'interesses rasteiros' e eleitorais

  • 03/06/2026
(Foto: Reprodução)
'Queremos fortalecer relação com os EUA', diz Lula em reunião ministerial O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (3) que o governo não pode "aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil nesta semana". Sem citar adversários políticos, ele também disse que pessoas estão "tentando trair o país" com interesses "rasteiros" de uma disputa eleitoral. Lula deu as declarações durante reunião ministerial no Palácio do Planalto após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos propor novas tarifas contra produtos brasileiros. "Estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos, interesses rasteiros, de uma disputa eleitoral. E não há disputa eleitoral, em qualquer país do mundo, que possa dar valor a alguém que trai a pátria. Alguém capaz de vender o seu país por interesses mesquinhos deles", afirmou Lula. Lula e seus aliados têm atribuído a articulações de Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, e de seu grupo político, as medidas recentemente anunciadas, como as propostas de tarifas e a classificação de facções criminosas como organizações terroristas. O senador do PL tem dito que, durante reunião com Trump, pediu que novas tarifas não fossem impostas contra empresas brasileiras. E divulgou uma carta que enviou à Casa Branca reiterando a solicitação. Para o filho de Jair Bolsonaro, o anúncio de novas tarifas é resultado do "tom agressivo" de Lula contra os norte-americanos. Nesta quarta, sem mencionar Flávio, Lula disse que um há um "imbecil" que não percebe que medidas como a taxação de produtos brasileiros vão prejudicar o país, e não um adversário nas urnas. "O que é mais triste, é que tem brasileiros — que eu não vou citar nomes aqui — brasileiros fomentando essa briga, na perspectiva de que se ele taxar a gente ele vai prejudicar uma candidatura à Presidência da República. Mas, o que um imbecil desses não percebe é que quem é prejudicado é o povo, não o Lula", disse o presidente. "Ou seja, pedir uma punição ao país na perspectiva de derrotar uma candidatura, ou de levar vantagem, é de uma grosseria que eu não posso encontrar outro nome, a não ser dizer: em qualquer outro mundo, em qualquer outro momento histórico, isso seria chamado de traição da pátria. É o que eles fizeram, não tem explicação", completou. Em um discurso com tom nacionalista, o petista também afirmou aos ministros que o Brasil não pode ser tratado como uma "republiqueta insignificante". Durante a audiência com os ministros, frases como "O PIX é do Brasil" e "Brasil é soberano" foram exibidas em um telão. "A nossa luta é para que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante. Nós temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil nesta semana. Não é possível", disse o petista. Agora no g1 Na reunião, Lula disse ainda que o Brasil nunca se negou a negociar com os Estados Unidos sobre tarifas comerciais. "Este país não adotará mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Nós queremos respeitar todo mundo, mas nós também queremos respeito", afirmou o presidente. E contou que ficou sabendo, pelas redes sociais, da proposta de aplicação de novas taxas de importação sobre produtos brasileiros pelos EUA. O presidente disse que foi pego de surpresa. "É uma taxação substanciada com base em inverdades. Porque o déficit que os EUA dizem que têm com o Brasil, é o Brasil que tem com eles. Portanto, se alguém tivesse que fazer uma taxação, é o Brasil contra os EUA, não os EUA contra o Brasil", declarou o petista. Ainda sobre as relações comerciais brasileiras, Lula celebrou, no encontro com ministros, a decisão da China de reconhecer o Brasil como país livre da febre aftosa, o que viabiliza a exportação de carne brasileira ao país asiático. "Foi a melhor resposta aos Estados Unidos. No dia que anunciaram a taxação, a China anunciou o reconhecimento do Brasil livre de febre aftosa. Então, a carne brasileira está liberada para chineses", comemorou o petista. O presidente, durante a reunião ministerial, voltou a fazer críticas ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Lula disse que o auxiliar de Trump é "antiamérica" e um "latinoamericano frustrado". O petista afirmou também que vai buscar Trump para tratar das questões tarifárias. Na viagem que fez aos Estados Unidos na semana passada, Flávio teve reuniões com Marco Rubio, além do encontro com Donald Trump. Tarifas contra o Brasil Lula conduz reunião ministerial com frase 'Brasil soberano' exibida em telão Reprodução/Canal Gov Uma investigação do escritório norte-americano concluiu, na terça-feira (2), que 60 países, entre eles o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países. Essa sobretaxa, segundo o Ministério das Relações Exteriores, deve se somar à taxa proposta no relatório norte-americano, divulgado na segunda-feira (1º), que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. ➡️O primeiro texto prevê a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O segundo, um adicional de 12,5%. Portanto, a sobretaxa passaria para 37,5%, próximo aos 40% impostos no ano passado — caso entre em vigor.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/06/03/nao-podemos-aceitar-o-tratamento-que-os-eua-deu-ao-brasil-nesta-semana-diz-lula.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

No momento todos os nossos apresentadores estão offline, tente novamente mais tarde, obrigado!

Anunciantes