Guerra no Oriente Médio pressiona dólar, petróleo e pode limitar intensidade e duração dos cortes na taxa de juros no Brasil; entenda

  • 03/03/2026
(Foto: Reprodução)
Gif home - troca de ataques entre EUA, Israel e Irã Arte g1 A escalada de tensões e a eclosão da guerra no Oriente Médio, com o início dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã e a propagação do conflito a países vizinhos, como o Líbano, pressionam o preço do petróleo e a cotação do dólar no Brasil. Neste início de semana, o petróleo ultrapassou o patamar de US$ 82 por barril, o valor mais alto desde janeiro de 2025. Com o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã , analistas projetam aumento substancial nos preços nos próximos meses — pressionando o preços dos combustíveis no Brasil. Outro fator que pode estimular a inflação é a cotação do dólar no país, por seu impacto nos preços de produtos e insumos importados. A moeda norte-americana avançou 0,6% nesta segunda-feira (2), para R$ 5,16, e continuava subindo nesta terça. Com dólar e petróleo mais caros, cresce a expectativa de aumento nos preços de combustíveis e de energia, que têm efeitos indiretos sobre o transporte, a indústria e até o agronegócio - limitando, também, o ritmo de crescimento da atividade doméstica. Segundo economistas, essa "mudança de preços relativos" de ativos (petróleo e dólar), no jargão da economia, pode contaminar não somente os preços correntes, mas também as projeções do mercado e da autoridade monetária para a inflação neste e nos próximos anos. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), colegiado responsável buscar o atingimento das metas de inflação, toma suas decisões olhando para a frente, pois elas demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia. Neste momento, por exemplo, o Banco Central está buscando atingir, por meio da fixação da taxa de juros, a meta central de inflação de 3% em doze meses até setembro de 2027. EUA emitem alerta para 14 países do Oriente Médio ➡️A lógica é que se a guerra não acabar no curto prazo, seu impacto na inflação (via aumento do petróleo e do dólar) pode ser mais duradouro, contaminando as projeções de inflação dos próximos anos e limitando intensidade e o ritmo dos cortes na taxa de juros no país. ➡️O Copom, do Banco Central, diz que apenas reage ao cenário da economia na fixação dos juros. Se há uma piora com impacto inflacionário, tem de adequar seu panorama esperado para o futuro. Na ata de sua última reunião, em janeiro, o Copom avaliava que o cenário externo seguia incerto. "Elevações das tensões geopolíticas e seus desdobramentos seguem sendo monitorados, porém no contexto atual os preços das principais commodities permaneceram contidos, e as condições financeiras, favoráveis", dizia o Copom, antes da eclosão da guerra no Oriente Médio. ➡️Até a semana passada, antes do conflito no Oriente Médio, o mercado financeiro projetava que a taxa Selic começaria a ser reduzida neste mês, passando de 15% para 14,5% ao ano — com base em sinalização do próprio BC. E que a taxa continuaria caindo no futuro, fechando 2026 e 2027 em 12% e 10,5% ao ano, respectivamente. Alta do petróleo pode chegar aos combustíveis no Brasil O que dizem analistas Rafaela Vitoria, economista-chefe do banco Inter, avalia que o aumento recente do preço do petróleo não gera uma necessidade imediata de aumento dos combustíveis pela Petrobras — o que acontecerá somente se o preço permanecer elevado por um período mais prolongado. Além disso, com o atual patamar do petróleo, ela argumenta que um eventual reajuste, próximo de 10%, teria um impacto limitado na inflação. Avalia, também, que o dólar abaixo de R$ 5,50 não traz uma "preocupação maior" para as expectativas de inflação deste ano. Outro ponto, segundo Rafaela Vitória, é que a economia vive um momento demanda mais fraca, com desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB). Ela diz que, por isso, um possível aumento da gasolina não teria um impacto estrutural no rumo da taxa de juros no Brasil. E segue prevendo corte da taxa Selic para 14,5% ao ano pelo BC, em meados de março. "Mas, dependendo da magnitude desse impacto [da alta do preço do petróleo], você pode ter uma cautela um pouco maior pelo Copom de, ou postergar esse início de corte de juros, ou começar com um ritmo um pouco mais fraco, de 25 pontos [neste mês]", afirmou Rafaela Vitoria, do banco Inter. Leonardo Costa, economista do ASA, observou que a escalada de tensões no Oriente Médio eleva de forma relevante os riscos para energia, mas que o impacto final dependerá essencialmente da duração e da intensidade do conflito. "No Brasil, a política de suavização de preços da Petrobras tende a retardar o repasse da alta internacional para combustíveis, com o diesel devendo subir antes da gasolina, dado o maior peso das importações e a defasagem acumulada", disse Leonardo Costa, do ASA. Terceiro dia de confrontos no Oriente Médio Jornal Nacional/ Reprodução Em termos inflacionários, disse ele, um aumento de 10% na gasolina adiciona cerca de 0,20% a 0,25% ao IPCA anual, enquanto o diesel impacta majoritariamente de forma indireta, via custos e cadeia produtiva. "A persistência de um preço do petróleo mais elevado pode elevar a projeção de inflação doméstica", concluiu. Já Fabiano Zimmermann, head de fundos de renda fixa do ASA, afirmou que o conflito não deve alterar, neste momento, o plano do Banco Central de iniciar o ciclo de cortes de juros na reunião de março. "No entanto, caso a crise se prolongue, seus desdobramentos podem interromper a sequência de valorização do real [queda do dólar] e provocar uma mudança no patamar dos preços do petróleo, fatores que tenderiam a limitar a magnitude do ciclo de flexibilização monetária [corte dos juros]. Esse cenário já começa a se refletir na curva de juros, com a elevação do prêmio na parte intermediária", acrescentou Fabiano Zimmermann, do ASA. INFOGRÁFICO - Entenda a escalada do conflito entre EUA e Israel contra o Irã. Arte/g1

FONTE: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/03/03/guerra-no-oriente-medio-pressiona-dolar-petroleo-e-pode-limitar-intensidade-e-duracao-dos-cortes-na-taxa-de-juros-no-brasil-entenda.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

No momento todos os nossos apresentadores estão offline, tente novamente mais tarde, obrigado!

Anunciantes