Flávio diz que carta de Bolsonaro foi o quinto recado público do pai e acusa Moraes de interferir na eleição

  • 13/07/2026
(Foto: Reprodução)
Pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) em live em 13 de julho de 2026 Reprodução O pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, acusou nesta segunda-feira (13) o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de tentar interferir nas eleições ao proibir visitas do senador ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em uma transmissão ao vivo nas redes sociais, Flávio afirmou que a carta divulgada na última semana foi o quinto recado público escrito por Bolsonaro desde que passou a cumprir medidas cautelares e que as quatro mensagens anteriores foram divulgadas sem qualquer contestação por parte do ministro. LEIA TAMBÉM: Moraes aciona MPE para investigar Flávio por propaganda antecipada após divulgação de carta de Jair Bolsonaro Segundo Flávio, a primeira carta foi divulgada em 25 de dezembro de 2025, quando Bolsonaro confirmou, por escrito, a indicação de Flávio como pré-candidato à Presidência da República. De acordo com o senador, a mensagem foi lida após uma visita ao pai no hospital e transmitida ao vivo por emissoras de televisão, rádio e pelas redes sociais. O pré-candidato também citou uma carta publicada pela madrasta, Michelle Bolsonaro, em 6 de fevereiro de 2026, por ocasião do aniversário de casamento do casal; outra divulgada em 1º de março, em que o ex-presidente defendia a ex-primeira-dama de críticas nas redes sociais; e uma quarta mensagem, tornada pública em 2 de março, sobre as eleições em Mato Grosso do Sul. Agora no g1 A quinta carta, divulgada nesse fim de semana, reafirma o apoio de Bolsonaro à pré-candidatura do filho e pede que aliados deixem divergências de lado às vésperas das convenções partidárias. "Foi a quinta vez que ele escreveu uma carta. E por que desta vez ele [Alexandre de Moraes] resolve questionar que eu estaria descumprindo alguma ordem judicial?", afirmou. LEIA TAMBÉM: Com decisão, Moraes impede visitas de Flávio a Jair Bolsonaro até depois do primeiro turno das eleições Flávio negou que o pai tenha determinado ou orientado a divulgação da carta nas redes sociais e questionou a diferença entre a publicação feita por ele e a repercussão do texto em outros canais. "Qual é a diferença de eu publicar na minha rede, de publicar na rede da Michelle, de publicar no YouTube, de publicar nas centenas de veículos de comunicação, de sair no Jornal Nacional? Qual é a diferença? Nenhuma diferença", disse. Durante a transmissão, Flávio afirmou que Alexandre de Moraes tenta impedir que Jair Bolsonaro manifeste apoio à sua candidatura. "O que eu percebo é que Alexandre de Moraes quer interferir nas eleições. Quer, obviamente, que eu não seja candidato. Ele sabe da força que meu pai ainda tem, sabe da importância de uma manifestação dele a meu favor e quer impedir que isso aconteça", declarou. Segundo o senador, a decisão que suspendeu suas visitas ao pai retira uma das poucas formas de comunicação do ex-presidente com seus apoiadores. Flávio também afirmou acreditar que Moraes procura "uma desculpa" para impor uma medida mais severa contra Bolsonaro. Nessa segunda-feira (13), Alexandre de Moraes proibiu Flávio Bolsonaro de visitar o pai após a divulgação da carta em que o ex-presidente reafirma apoio à sua pré-candidatura à Presidência. Para o ministro, houve indícios de descumprimento da medida cautelar que proíbe Bolsonaro de utilizar redes sociais direta ou indiretamente, inclusive por intermédio de terceiros. Flávio compara Jair Bolsonaro a Lula Flávio Bolsonaro comparou as restrições impostas ao pai com o período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve preso, entre 2018 e 2019. Segundo o senador, o petista pôde manter articulação política durante o período em que cumpria pena, enquanto Bolsonaro estaria sendo impedido de se comunicar com apoiadores. O senador citou uma entrevista publicada pelos jornais "El País" e "Folha de S.Paulo" em maio de 2019. "Lula podia fazer tudo. Deu entrevista, recebia visita todos os dias sem problema nenhum. Qual é o critério agora com o presidente Bolsonaro?", disse Flávio. Em abril de 2019, um ano após a prisão do petista e quatro meses depois da posse de Jair Bolsonaro na Presidência da República, o Supremo Tribunal Federal autorizou que Lula fosse entrevistado. O pedido havia sido apresentado sete meses antes pelos jornais "El País" e "Folha de S.Paulo". Segundo Flávio, há pedidos de entrevista de Jair Bolsonaro pendentes de análise no STF e Alexandre de Moraes "nem consulta a defesa" sobre a possibilidade de o ex-presidente conceder entrevistas. O senador disse que também integra a defesa do ex-presidente e afirmou ter acionado o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para que a entidade se manifeste em defesa de suas prerrogativas profissionais. "Quer me deixar incomunicável com o próprio pai já é um absurdo. E não vai poder impedir que um advogado converse com o seu cliente, ainda que seja o advogado filho e o cliente seja o seu próprio pai", disse. Tarifaço 2.0 Flávio também aproveitou a transmissão para criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a condução do governo brasileiro nas negociações com os Estados Unidos sobre a possível imposição de novas tarifas a produtos brasileiros. Segundo o senador, o petista estaria estimulando o agravamento da crise comercial com o governo de Donald Trump. "É o presidente da República que, a todo momento, está pedindo tarifação do Brasil, atacando os Estados Unidos. O Lula é o único no Brasil que quer tarifa dos Estados Unidos", afirmou. O senador exaltou a viagem que fez aos Estados Unidos na semana passada para participar de uma audiência pública sobre o tarifaço. Segundo ele, foi ao país para defender os interesses brasileiros e criticou o governo por não ter enviado representantes para negociar com autoridades americanas. A crise comercial entre Brasil e Estados Unidos tem sido explorada politicamente pela pré-campanha de Flávio Bolsonaro. A audiência nos Estados Unidos também contou com a presença do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive no país. Em discurso feito em inglês, Flávio defendeu que uma eventual tarifa aplicada antes das eleições presidenciais brasileiras poderia beneficiar o atual governo. "O Brasil realizará eleições presidenciais em outubro. Em apenas 90 dias, o cenário político do país mudará completamente, e impor agora uma tarifa, que seria difícil de reverter, recompensaria os responsáveis pelas ações em questão", afirmou na ocasião. Futuro Ao se despedir da transmissão, Flávio disse que espera receber a faixa presidencial das mãos do pai caso seja eleito em outubro. Jair Bolsonaro, porém, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e atualmente cumpre pena em prisão domiciliar. O senador ainda lamentou que não poderá transmitir o carinho de apoiadores pessoalmente ao pai. "Você que já me encontrou e falou para eu mandar um abraço nele. Agora eu não vou conseguir dar".

FONTE: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/07/13/flavio-diz-que-carta-de-bolsonaro-foi-o-quinto-recado-publico-do-pai-e-acusa-moraes-de-interferir-na-eleicao.ghtml


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