Em fase anterior, PF mirou Jordy e Sóstenes por suspeitas de desvios de cotas parlamentares para locação de veículos
01/07/2026
(Foto: Reprodução) PF deflagra 3ª fase de operação para apurar desvio de recursos públicos
A terceira fase da Operação Rent a Car, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (1º), é um desdobramento de uma investigação que, em dezembro do ano passado, teve como alvos os deputados federais Carlos Jordy (PL-RJ) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara.
Na ocasião, os parlamentares foram alvo de mandados de busca e apreensão sob suspeita de desviar recursos públicos vindos de cotas parlamentares. Eles negam qualquer irregularidade.
Os parlamentares não são alvos da nova fase da operação, deflagrada nesta quarta-feira (1º). Nesta etapa, a PF mira aliados do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante. Mas, Jordy e Sóstenes são citados na decisão pelos investigadores.
Segundo as investigações, os deputados teriam utilizado empresas de fachada, entre elas, uma locadora de veículos, para justificar despesas custeadas com dinheiro público. A principal suspeita da PF é que contratos de aluguel de veículos eram usados para dar aparência de legalidade ao desvio de recursos da verba parlamentar.
Os deputados Sóstenes Cavalcante (PL) e Carlos Jordy (PL)
Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
A operação realizada em dezembro foi um desdobramento da Rent a Car, iniciada após diligências contra assessores ligados aos parlamentares. De acordo com a Polícia Federal, a análise de mensagens de celular, depoimentos e quebras de sigilo levaram aos indícios contra os parlamentares.
As investigações apontam que agentes públicos, servidores comissionados e particulares teriam atuado de forma coordenada para desviar orçamento público e ocultar a origem do dinheiro. Entre os crimes investigados estão peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Dinheiro encontrado em flat
PF apreende cerca de R$ 400 mil em espécie em endereço ligado a Sóstenes Cavalcante
Durante as buscas, a PF apreendeu cerca de R$ 470 mil em espécie em um endereço ligado a Sóstenes Cavalcante, em Brasília.
O dinheiro estava guardado em sacos plásticos dentro de um armário, segundo os investigadores. O deputado afirmou que os valores são provenientes da venda de um imóvel, declarou que o dinheiro tem origem lícita e disse ser vítima de perseguição política.
Carlos Jordy também negou qualquer irregularidade. Em nota divulgada na época, afirmou que a empresa investigada presta serviços ao seu gabinete desde 2019 e argumentou que não cabe ao parlamentar fiscalizar a quantidade de veículos da locadora contratada, mas apenas a prestação do serviço.
Dinheiro estava guardado em sacos de lixo
Divulgação
Nova operação da PF
A fase atual da Operação Rent a Car não tem os deputados como alvos diretos. Segundo a PF, o objetivo agora é aprofundar as investigações sobre pessoas ligadas a Sóstenes Cavalcante e esclarecer a movimentação e a destinação dos recursos sob investigação, além de apurar a versão apresentada pelo parlamentar para a origem do dinheiro apreendido em dezembro.