Para procuradores, operação do Porto de Santos é exemplo de cooperação internacional para combate a facções

  • 11/03/2026
A operação realizada nesta terça-feira (10) contra uma quadrilha de tráfico internacional de drogas vem sendo citada entre procuradores do Ministério Público Federal como um bom modelo para enfrentar facções criminosas com cooperação internacional. O debate ganha relevo diante da avaliação, por parte dos Estados Unidos, da possibilidade de declarar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas. Autoridades brasileiras têm receio de que tal declaração abra brechas para intervenções americanas em assuntos nacionais. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por telefone sobre o tema com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A Operação Costeau foi conduzida por uma equipe conjunta de investigação formada procuradores brasileiros e pela Jurisdição Inter-regional Especializada da cidade de Rennes, na França, composta por integrantes do Ministério Público e do Judiciário locais. A ação teve participação também da Agência da União Europeia para a Cooperação Judiciária Penal (Eurojust). A cooperação surgiu porque autoridades francesas identificaram indícios de participação de integrantes do PCC no esquema que levava drogas à costa francesa. Pelo que já foi mapeado pelos procuradores brasileiros, todo o tráfico de drogas no Porto de Santos é dominado pela facção que, se não estiver envolvida diretamente, ao menos dá o aval para o uso do porto como rota. No episódio que deflagrou a investigação, autoridades francesas identificaram a droga acondicionada no casco de um navio cargueiro que havia passado pelo porto. As embalagens tinham dispositivos de rastreamento, indicando o monitoramento da carga ao longo do trajeto. Para procuradores ouvidos pelo blog, a operação revela como já há instrumentos disponíveis atualmente para a atuação conjunta no combate às facções, inclusive com os Estados Unidos. A classificação como organizações terroristas teriam outros impactos, inclusive diplomáticos, que podem ter impactos além da capacidade de investigação, como, por exemplo, em acordos comerciais. MAIS SOBRE O ASSUNTO Por que a Lei Antiterrorismo no Brasil não enquadra facções como CV e PCC? Quais os critérios dos EUA para classificar organizações terroristas estrangeiras EUA não levarão em conta posição do Brasil, diz promotor jurado pelo PCC ANÁLISE: plano dos EUA sobre facções vira armadilha eleitoral para Lula

FONTE: https://g1.globo.com/politica/blog/octavio-guedes/post/2026/03/11/para-procuradores-operacao-do-porto-de-santos-e-exemplo-de-cooperacao-internacional-para-combate-a-faccoes.ghtml


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